AGORA... QUE ATÉ TEM BRASÃO
 Sempre que me tenho debruçado sobre a origem do nome de Mindelo, hoje em dia uma das 30 freguesias do Concelho de Vila do Conde (5,44 kms2 - 3.402 habitantes em 2001), depara-se-me um ligeiríssimo apontamento sobre um muito antigo documento, do ano 1068, que se refere a um trespasse de propriedade efectuado naquela época. Também, em documentação anterior a 1100, se cita a vila de Amidjellus, designação que terá antecedido o nome actual. Como freguesia delimitada, foi considerada, a partir de 1611, pertencente ao concelho da Maia. Só mais tarde, em 1836, foi integrada no município vilacondense.
Mindelo releva-se toponicamente pelo grande acontecimento histórico ocorrido a 8 de Julho de 1832, o célebre desembarque das tropas liberais (Bravos de Mindelo) comandadas por D.Pedro IV. Modernamente, há sessenta anos atrás, distinguia-se e era afamado pela fruíção natural que sua magnífica praia e frondosos arvoredos circundantes proporcionavam a quem ali vivia ou ia passar férias tranquilamente. Actualmente, sob evocadas e institucionalizadas reservas, "amigos e tudo", o cimento - subreptício e corrupto - por toda a parte galga imparavelmente e já não há fonte ou poço de água que mereçam a confiança de quem quer que seja.
O que é preciso fazer para salvar Mindelo da extinção agrícola e florestal, conservando-lhe o importantíssimo caudal ornitológico? Nada. A avalancha da estúpida ambição desmedida é incessante e imparável. Os últimos amanhadores da terra estão pelas pontas dos cabelos e a próxima geração enquadra-se num projecto social sem o condigno e honroso suor corporal. A "vaca de fogo", toda de plástico, arde nua, enquanto o "Judas" se vai queimando no silêncio da inconsciência. 
A ARTE DE BEM MINDELERComo bem sentis, meus caros Rui Maia, Rui Azevedo e António Maia, passaram-se doze anos, 144 meses, e tudo-tudo quanto se passou, avolumado num daqueles ápices racionais que abarca uma vida inteira, dá-nos a sensação que há pouco, há poucochinho, estávamos todos a fruir as alegrias e a padecer as tristezas que a vida ao longo do tempo inevitavelmente nos tem proporcionado: os aprazíveis convívios que partilhamos, as espectaculares emoções que soubemos retirar das singelas confraternizações, o inconfessável vazio que advinhamos e respeitamos uns aos outros quando ocorreu o desaparecimento dos nossos entes queridos, de alguns amigos e enfim, ao cabo de tudo, ainda sem mácula nos resta o espontâneo sorriso sincero em que eclodimos logo que nos revemos para pôr em dia a nossa memória e a expectativa de mais e mais seguirmos em frente. O motivo, porque sempre nos demos e convivemos exemplarmente sem nunca ferir as paixões de cada qual, isso, isso não sei. Tão pouco sei porque também temos alguns inimigos. O que sei e tenho a certeza absoluta, sem dispendermos o mínimo esforço, é que sabemos muitíssimo bem "mindeler". Vamos pois continuar e, entretanto, permitam-me que vá também "portificando".
A PRIMEIRA EDIÇÃO

AS ELEIÇÔES AUTÁRQUICAS DE 1993Há uma dúzia de anos, aproveitando a circunstância do entusiasmo político que então fervilhava entre a população mindelense, o "Mindeler", cuja primeira edição estava prevista para sair a público no primeiro dia de 1994, antecipou a sua estreia de oito dias para fazer jus aos resultados das eleições autárquicas locais. Sob as fotos dos quatro candidatos concorrentes à presidência da Junta de Freguesia, anunciava-se em primeira mão: o cabeça de lista do Partido Socialista mindelense manteve a presidência da Junta de Freguesia.
António Dias Sampaio, candidato independente e grande novidade na lista do PS, veio enriquecer a capacidade de trabalho autárquico e terá sido o polo atractivo no sensível aumento da votação que doravante coloca cinco membros na mesa da Assembleia, que continua a ser presidida pelo Dr. Manuel Baltasar.
Importa agora que todas as forças se conjuguem e empenhem na consumação do ideal por um Mindelo cada vez melhor, sempre mais activo e empreendedor. A saudável rivalidade eleitoral cessou e a democracia do povo cumpriu-se exemplarmente. |
O PRIMEIRO EDITORIAL
 Nasceu na parede do Café Rogério, na antiga Agra de Mindelo, a cujo balcão, entre as descontraídas ilusões de dois inspirados padrinhos, foi sumariamente baptizado de "Mindeler", exactamente a 26 de Junho de 1993, exclusivamente destinado a cobrir as empolgantes peripécias dos concorridos e emotivos Campeonatos de Sueca que se organizavam com primor e a rigor..
No mesmo modelo do extinto "Mindelense", vem agora - 1 de Janeiro de 1994 - por gosto e alguma teimosia do seu feitor, até às mãos e olhos de quem o quiser apreciar e, por inoportuna aflição, dele se servir com utilidade higiénica num daqueles momentos críticos e menos previstos
.Da parede até aqui, e daqui até acolá, as etapas futuras deste pequeno jornaleco, por ora, pertencem apenas ao domínio do sonho e sobretudo à carolice dos que lhe derem apoio com devoção. Começa por ser de edição mensal, enquanto trata de enraizar o seu aparecimento, motivar colaborações, angariar leitores e no essencial justificar-se como elemento socialmente credível. O seu preço, 100 escudos, visa apenas sustentar a despesa do papel fotocopiado e os diversos elementos da sua composição.
De portas abertas seja a quem for, não aceitará contudo o deslumbramento oriundo da vertigem nem o jugo da mordaça e da venda. Outrossim, em pleno respeito pelos múltiplos ideais, não se acocorará à prepotência ou ao manobrismo subserviente. De resto, para ser medianamente interessante, procurará estabelecer a mais estreita relação possível de Mindelo com o Mundo.
Então, sob a Vossa sempre prezada anuência, vamos lá tentar a aventura de bem "Mindeler". O CANTINHO DO BELCHIOR

Sinto-me grato à providência que me concedeu a oportunidade de dispor deste cantinho para exprimir as minhas convicções e os meus ideais, cantinho que com muito agrado aceito e para o qual contribuírei com o saber da minha pele e o fruto das minhas ideias, dando de mim a modesta experiência que tenho da vida e tudo quanto dela possa servir de exemplo benéfico para os outros mindelenses de carne viva e espírito lúcido.
Exprimo-me um dia antes das eleições, determinado na coragem que é preciso ter para resolver com realismo os vários problemas da Freguesia, optando prioritariamente pela defesa do seu património em harmonia com o progresso, que creio, todos desejam para a sua terra.
Não se aguarde mais pelos períodos eleitorais para fabricar promessas e competências, derimir rivalidades, exagerar descontentamentos e, até, frontalizar vaidades. A minha política limita-se a acção do dia a dia e à pedrada criadora que não quer cair no charco, pretendendo apenas constituir-me num humilde efeito que seja digno de ver-se á luz do sol de todos nós.. | QUIÇÁ DAÍ MINDELO...

Há muito antigo tempo quando nem havia acento de posse e propriedade, um fidalgo brazonado vagueava bem montado a Sul do Rio Ave.
Talvez perdido, quem sabe, ou de própria vontade embrenhou-se num pinhal onde ao acaso foi dar com um homem a roçar um extenso matagal.
Indagou senhorial de quem era o pinhal ao rude trabalhador que em vénia respondeu retirando o seu chapéu: - É "mim-e-delo", senhor !...
António Mindelo

CACHOPA MINDELENSE
Aquele rubor de face que estremecia inocente numa cachopa alfazema se logo não me tentasse só a beleza envolvente valia qualquer poema.
Que magia, que emoção, que dança de coração tirar-lhe um gancho ao cabelo e após voltar à cidade pra viver preso à saudade da cachopa de Mindelo.
Já tantos anos lá vão desfeitos na ilusão do mundo da fantasia e agora à erva brava apenas pela palavra lhe posso dar poesia.
Os cabelos permanentes, as pinturas decadentes sem odor a rosmaninho, Mindelo, já deceparam os sonhos que me tramaram e me deixaram sozinho !...
Leonel Bonfim
mindeler@sapo.pt Comente Sugira Participe
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